TOTAL tranca torre de controlo e inviabiliza voos nocturnos

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É totalmente impossível decolar e aterrar no Aeródromo de Afungi, distrito de Palma, província de Cabo Delgado, durante o período da noite, tudo porque a petroquímica francesa Total, proprietária da infra-estrutura, trancou a Torre de Controlo do tráfego aéreo (e levou as chaves), facto que impossibilita a iluminação e sinalização da pista de aterragem.

A reportagem da “Carta” testemunhou esta triste realidade na noite desta segunda-feira, quando aguardava pelo voo que vinha de Pemba para evacuar um grupo de oito jornalistas que ficaram retidos naquele local, devido ao ambiente de “exclusão” causado pelos organizadores da viagem, no momento de regresso à capital provincial de Cabo Delgado.

Devido às péssimas condições de segurança para a aterragem de aeronaves naquele Aeródromo, assim como as más condições climatéricas (chovia torrencialmente), os jornalistas acabaram pernoitando no Acampamento da Total, na Península de Afungi.

Aliás, no local, apenas as Forças de Defesa e Segurança (FDS) marcam presença e os pilotos e co-pilotos são os únicos responsáveis pelo cumprimento de todos os protocolos de segurança aeronáutica, cabendo a eles a responsabilidade de elaborar a lista de passageiros; proceder com o embarque e desembarque de passageiros e carga; e pela observância das medidas de protecção contra Covid-19, algo quase esquecido em Palma.

Refira-se que a petroquímica francesa evacuou, no passado dia 27 de Março, todos os seus trabalhadores, após suspender as actividades de construção da fábrica de Liquefação do Gás Natural, devido aos ataques terroristas ocorridos na vila-sede de Palma. O ataque, sublinhe-se, aconteceu quase um dia depois de a Total anunciar a remobilização dos trabalhadores para dar continuidade das actividades de construção do Projecto Mozambique LNG em Afungi, que suspendera em Janeiro último, após um ataque terrorista nas proximidades do projecto.

Realçar que os jornalistas da Carta de Moçambique, Canal de Moçambique, SAVANA, Evidências, RTP, Agência Lusa e o repórter de imagens da STV ficaram em terra, devido ao ambiente de exclusão que reinou durante o período de regresso. Apenas as equipas de reportagem da TVM e RM tiveram o privilégio de regressar a Pemba, supostamente porque tinham peças a “despachar” para os seus serviços noticiosos da noite. O jornalista da STV também conseguiu embarcar numa das aeronaves que transportava os deslocados, tudo porque uma das passageiras foi impedida de viajar na mesma aeronave por questões de segurança (é gestante e com problemas de saúde). (CARTA)

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