Jean Boustani em julgamento fala da sua relação com Armando Guebuza

0 772

O libanês disse que conheceu o antigo presidente de Moçambique na sua festa de aniversário em Maputo e o convenceu a aprovar o projecto das dívidas ocultas.

A Privinvest submeteu o projecto de protecção da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Moçambique ao gabinete do Presidente da República, a 31 de Dezembro de 2011 e seguiramse longos 13 meses de negociações, que levaram Jean Boustani e seu chefe Iskandar Safa a perder esperança de ver o projecto avançar. Tudo mudou quando em Janeiro de 2013, o jovem libanês viajou de Abu Dhabi para Maputo e participou na festa de 70° aniversário natalício de Armando Guebuza, durante a qual abordou o então chefe do Estado sobre o projecto e 24 horas depois já tinha tudo aprovado. “Safa disse, ‘Jean, se não encontrarmos o presidente de Moçambique , este projecto não vai acontecer’”, contou Boustani.

“Então fui a Moçambique para fazer de tudo para encontrar o presidente”, disse. O jovem vendedor de produtos da Privinvest, contou ao júri que notou que o seu intermediário, Teófilo Nhangumele, não era capaz de fazer aprovar o projecto. E seguindo conselhos de Iskandar Safa, decidiu embarcar para Maputo, para tentar falar com o filho de Guebuza, Armando Ndambi Guebuza, e através deste chegar ao seu pai.

“Cheguei [a Maputo] no início de Janeiro de 2013. Falei com o Júnior [Armando Ndambi Guebuza] e expressei a minha frustração. Disse que ‘já passam 2 anos a falar com bancos e autoridades de Abu Dhabi e nada avança. Se fosse possível arranjar um encontro com o seu pai para dar explicação…’”, disse. Segundo Boustani, Ndambi respondeu que no fim de semana a seguir iria se realizar a festa de aniversário do seu pai, Armando Guebuza.

Efectivamente Guebuza completava anos a 20 de Janeiro, um domingo. Boustani disse que foi convidado à festa, pelo filho de Guebuza e foi lá onde teve a oportunidade de falar com Guebuza pela primeira vez. “Encontrei-me com o presidente Guebuza na festa do seu aniversário. Eram 70 anos. Falei detalhadamente sobre tudo o que estávamos a tentar fazer desde 2011. Enfatizei a estratégia de protecção costeira”, narrou.

“Ele disse que o projecto era bem-vindo. Falou-me da sua visão sobre Moçambique. Disse-me que era general e antigo combatente da luta de libertação nacional e que agora faltava garantir a independência económica do país. Disse que estava em fim do mandato e queria deixar isso como seu legado. E pediu-me para ir ao seu escritório no dia seguinte. E lá fui com o Armando”, continuou.

No dia seguinte, que era uma segunda-feira, Jean Boustani afirmou ter ido ao gabinete de Armando Guebuza e lá Guebuza o informou que o projecto teria andamento e o focal point seria alguém sénior dos serviços secretos que o iria contactar. O agente dos serviços secretos é António Carlos do Rosário, que o contactou, disse, em menos de uma semana. “Eu lhe falei de Abu Dhabi, da relação de Safa com a família real, do valor acrescentado que a Privinvest iria trazer em Moçambique e da visita de Estado que iriamos preparar para ele em Abu Dhabi para poder conhecer um pouco da Privinvest, fazer o seu due diligence e encontrar-se com a família real”, contou.

CIP

Leave A Reply

Your email address will not be published.