Cidadão decapitado 10 dias após a recuperação de Palma pelas FDS

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A pessoa decapitada por supostos terroristas era residente na Vila Sede do Distrito e após o regresso da população terá descoberto produtos alimentares escondidos na sua casa. Após ter denuciando o assunto às autoridades locais foi encontrado morto.

Supostos terroristas terão decapitado um cidadão nas imediações da Vila Sede do distrito de Palma, 10 dias depois da recuperação da vila pelas Forças de Defesa e Segurança. “Ontem, domingo, houve um susto porque foi encontrado um corpo decapitado na zona de Malanga, onde supõe-se que um cidadão ao regressar à sua residência encontrou uma quantidade enorme de produtos”, revelou Pedro da Silva Negro, membro da Polícia da República de Moçambique em Palma, em entrevista à um grupo de jornalistas que escalaram ontem o local que foi alvo de ataques terroristas.

Ao surpreender-se com tais produtos alimentares (arroz, óleo, farrinha, etc), o cidadão em causa terá denunciado a ocorrência às Forças de Defesa e Segurança, que foram removê-los. Não passou muito tempo, ele foi encontro decapitado na sua residência. “Parece que os donos dos produtos não gostaram do acontecido, então pela noite à dentro vieram e decapitaram o indivíduo”. A decapitação é a razão pelas qual as autoridades suspeitam tratar-se de morte causada pelos terroristas, visto que é o seu “modus operandi”.

“Onde há guerra por mais que haja segurança, devem existir sempre pequenos focos”, respondeu da Silva Negro ao ser questionado pelo jornal “O País” se a decapitação seria sinónimo da existência de terroristas infiltrados na população e que controlam todo o movimento de retorno à normalidade dentro da vila. “Não posso confirmar”, concluiu.

Júlio Sebastião, um residente de Palma, que permanece na vila com a sua família, detalhou que o indivíduo decapitado chamava-se Birus. A informação espalhou-se pelo bairro e tende a reprimir o movimenro de retorno da população à Vila. “A população tentava vir mas com aquela agitação (da decapitação), as pessoas já não conseguiram mais vir para aqui”.

Por outro lado confessou que “não estamos a sentir aquele conforto. Vivemos aqui em Palma mas não estamos fixos porque temos medo de que eles estejam nas matas. Todas as pessoas já estão com medo”, declarou.

RASTRO DE DESTRUIÇÃO EM PALMA

E o medo não é para menos. Durante cerca de uma semana dentro de Palma, os terroristas deixaram um profundo rastro de destruição na vila. O destaque vai para o Hotel Amarula Lodge onde vários trabalhadores do projecto de exploração de gás natural da Total e pessoas ligadas a empresas subcontratadas refugiaram-se. Nas proximidades do “Amarula” foram decapitadas 12 pessoas, todas de raça branca, que as autoridades supõem que sejam estrangeiros. Após o resgate dos que estavam refugiados no local, o hotel foi vandalizado e pilhado pelos atacantes. Já no Hotel Palma Inn, os “jihadistas” não só roubaram como também incendiaram grande parte das instalações do estabelecimento hoteleiro inaugurado há apenas dois anos.

No centro da Vila, as instituições do Estado não escaparam. Foram incendiados os edifícios do Governo do distrito e a casa do administrador, posto policial, procuradoria, Autoridade Tributária, Centro de Saúde de Palma, além de casas e estabelecimentos comerciais que parecem terem sido indicados à dedo para serem vítimas dos ataques. No mesmo perímetro, eles eram capazes de deixar uma loja intacta e incendiavam-na.

TERRORISTAS TERÃO ROUBADO MAIS DE 60 MILHÕES DE MT EM TRÊS BANCOS

Além das infraestruturas já mencionadas, o grupo de terroristas que atacou Palma vandalizou e roubou dinheiro nas instalações dos três bancos existentes do distrito. Na agência do BCI assaltaram as caixas automáticas, também conhecidas por ATM’s, e depois incendiaram todas as instalações. A agências do Millenium Bim não foi incendiada, se calhar porque os terroristas tinham outra ocupação. “Havia no banco um cofre que está de pé e eles vieram com instrumentos cortantes e conseguiram furar a caixa forte, cuja parede tinha um espessura de cerca de 20 centímentos. Mas conseguiram furar e tirar muito dinheiro”, explica Pedro da Silva Negro, acrescentando que segundo as declarações dos responsáveis “supõe-se que desapareceram 30 milhões de meticais”.

Já a agência do Standard Bank também foi vandalizada mas não queimada. Naquele banco, depois de arrombarem os ATM’s, os mesmos tentaram violar o cofre da instituição. Só não conseguiram porque o mesmo está embutido na parede do edifício. As autoridades estimam que o saque aos três bancos terá resultado no desvio de cerca de 60 milhões de meticais, valor que, aventa-se a possibilidade de aumentar as linhas de financiamento das actividades de pilhagem e assassinatos. (O Pais)

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