A casa das “dívidas ocultas” está a desabar

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Indivíduo “B” já fala

Andrew Pearse, o individuo “B” no relatório da Kroll e ex-banqueiro do Credit Suisse, o banco que está no centro da histórica fraude das dívidas ocultas de Moçambique, admitiu ter recebido milhões de dólares em subornos como parte de uma fraude que envolveu até USD 2.2 mil milhões em empréstimos, ao arrepio das normas, contratados na administração Guebuza.

Andrew Pearse, 49 anos, ex-director administrativo do Credit Suisse, fez a admissão na sexta-feira passada quando se declarou culpado de fraude electrónica no tribunal federal no Brooklyn, em Nova York. É preciso lembrar que este Tribunal espera ouvir em princípios de Outubro, Manuel Chang, o antigo ministro das finanças de Guebuza, que luta na justiça sul-africana, pela não extradição para os Estados Unidos da América. Chang, através dos seus advogados, já respondeu à petição do Fórum de Monitoria de Orçamento (FMO), que submeteu uma contestação judicial ao novo ministro de justiça e assuntos correccionais da África do Sul, Ronald Lamola, contra a decisão do seu antecessor Michael Masutha de extraditar o antigo ministro moçambicano para o seu país de origem..

Delação premiada
Porém, não está claro se a Pearse está a cooperar com os procuradores dos EUA, na chamada “delação premiada”. O seu acordo de confissão e todos outros registos relacionados com o caso foram colocados sob sigilo. A sua advogada, Lisa Cahill, e Mark Bini, procurador federal, recusaram-se a comentar para a bloomberg, depois do julgamento.
Pearse é o segundo ex-banqueiro do Credit Suisse a se declarar culpado no esquema de fraude e lavagem de dinheiro. A búlgara Detelina Subeva, ex-vice-presidente da unidade de financiamento global do banco, se declarou culpada em Maio.
Pearse admitiu ter ajudado a arranjar empréstimos bancários a três empresas detidas e controladas pelo governo moçambicano e recebeu milhões de dólares em subornos. Identificou a Proindicus, Ematum e MAM”, as três empresas no centro de toda a fraude.
Andrew Pearse, que pode ser condenado a 20 anos de prisão, admitiu ter recebido USD 2,5 milhões para facilitar os empréstimos. Porém, deve ser monitorado electronicamente e receber ordens para fazer “check-in” semanalmente com seus advogados no Reino Unido, além de ligar para os agentes do FBI que cuidam do caso uma vez por semana.

Andrew Pearse admitiu igualmente que estava ciente dos riscos de fazer negócios naquela natureza, admitindo que os subornos e pagamentos ilícitos vieram de funcionários do Privinvest, o epicentro da toda fraude que colocou Moçambique no fundo do poço no mercado financeiro internacional.

Funcionários da Privinvest “me enviaram milhões de dólares em subornos ilegais de empréstimos e pagamentos ilegais para eu ajudar na obtenção de empréstimos pelo Credit Suisse”, disse Pearse no tribunal. O dinheiro veio de funcionários da Privinvest, como Jean Boustani e Iskandar Safa, dono da empresa e próximo do círculo da antiga família presidencial em Moçambique.

Reagindo às declarações de Pearse, a Privinvest negou que esteja envolvido, afirmando que nem a empresa, como o seu CEO (o libanês Iskandar Safa), são partes dos processos nos EUA.

“A Privinvest leva esses assuntos a sério, mas rejeita qualquer alegação de que tenha agido de forma inadequada com relação aos contratos de fornecimento ”, frisou em comunicado citado pela bloomberg.

A empresa acrescentou: “A Privinvest cumpriu seus compromissos contratuais e tomou medidas extraordinárias para ajudar a tornar os projectos bem-sucedidos”.

Pearse fez notar que Boustani lhe disse que a Privinvest também pagou pelo menos USD50 milhões ao filho do então presidente de Moçambique, Dambi Guebuza, como parte do esquema. Boustani, que foi preso no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, em Janeiro, se declarou inocente. O advogado de Boustani, Michael Schachter, recusou-se a comentar quando abordado pela bloomberg.

Fonte: Savana

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